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UFRN transforma rejeito salino em hidrogênio e água sanitária em inovação sustentável

Foto: Cícero Oliveira – UFRN
Pesquisadores da UFRN desenvolvem tecnologia que transforma rejeitos salinos em hidrogênio e hipoclorito, promovendo sustentabilidade  |   BNews Natal - Divulgação Foto: Cícero Oliveira – UFRN
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 28/08/2025, às 12h53



Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram uma tecnologia capaz de gerar simultaneamente hidrogênio, combustível limpo, e hipoclorito de sódio, a popular água sanitária, a partir de rejeitos salinos.

O processo eletroquímico utiliza soluções concentradas de cloreto de sódio presentes no efluente industrial, evitando o uso de água potável para a produção do hipoclorito.

O sistema inclui etapas de pré-tratamento, nas quais água do mar é processada para gerar uma alimentação baseada em água salobra, que posteriormente alimenta o eletrolisador híbrido. A abordagem permite transformar resíduos industriais em produtos com múltiplas aplicações, desde desinfecção até branqueamento de tecidos.

“O foco do nosso grupo de pesquisa é o tratamento de efluentes ricos em cloreto. Inicialmente trabalhamos com água produzida da indústria do petróleo, depois aplicamos a tecnologia aos rejeitos da indústria salineira, menos complexos”, explica Elisama Vieira dos Santos, orientadora do estudo.

Patente é conduzida por grupo de pesquisa da UFRN com foco no uso sustentável de efluentes salinos – Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

Aplicações industriais e energéticas

Elisama destaca que a invenção foi concebida como um sistema híbrido capaz de processar águas salinas oriundas de rios, lagos, poços, água do mar ou rejeitos de salmouras industriais, podendo ser aplicada em setores energéticos, offshore, petroquímicos, têxteis e estações de tratamento de água e esgoto.

A pesquisa, desenvolvida no Laboratório de Eletroquímica Ambiental e Aplicada, integra uma dissertação de mestrado em Engenharia Química e o programa de pós-graduação em Química.

Além de Elisama, os inventores são Karen Giovanna Duarte Magalhães, Luis Felipe Silva de Miranda, Jussara Câmara Cardozo e Carlos A. Martínez-Huitle.

O pedido de patente, registrado em junho junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), recebeu o título “Sistema para a geração de hipoclorito de sódio por meio de fluxo de reciclagem de água salina combinado com a produção de hidrogênio”.

Luis Felipe Silva de Miranda realiza preparo de amostra durante experimento em laboratório de eletroquímica – Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

Sustentabilidade e economia circular

Karen Magalhães, pós-graduanda e orientanda, ressalta que a tecnologia insere-se no contexto de energias renováveis, metas de neutralidade de carbono e economia verde.

“Ao transformar efluentes salinos em produtos úteis, conectamos duas indústrias: a produção de espécies oxidantes como hipoclorito e a geração de hidrogênio como combustível limpo”, afirma.

A produção de hidrogênio por eletrólise de águas salinas utilizando energia renovável reduz emissões de CO₂ e contribui para a transição energética sustentável, enquanto o uso de rejeitos industriais minimiza a pressão sobre os recursos hídricos.

O hipoclorito de sódio, composto químico essencial em desinfecção, branqueamento e tratamento de água, tem aplicações que vão desde hospitais e laboratórios até indústrias alimentícias, têxteis e de papel e celulose.

Carlos Martínez-Huitle e Elisama Vieira dos Santos explicam como resíduos salinos são transformados em hidrogênio e água sanitária – Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

Inovação tecnológica e autonomia nacional

Carlos Martínez-Huitle, pesquisador mexicano radicado no Brasil, explica que o sistema usa um reator eletroquímico de dois compartimentos, dois eletrodos conectados a uma fonte de energia, entradas e saídas de efluente e gás, além de peças vedadas.

Um dosador recircula o efluente salino, potencializando a produção de hipoclorito e hidrogênio simultaneamente.

Segundo ele, o grupo acumula 15 anos de experiência em reatores eletroquímicos, incluindo design e construção de eletrolisadores, o que reduz a dependência de tecnologia importada para a produção de hidrogênio verde no Brasil.

O processo permite ajuste fino das quatro etapas do reator, garantindo máxima eficiência na conversão de cada litro de solução salina em produtos úteis, consolidando a tecnologia como inovação promissora para sustentabilidade industrial e energética.

Classificação Indicativa: Livre

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