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Motoristas usam até urina no tanque para enganar locadoras e evitar custo com combustível; entenda

Motoristas de aplicativo recorrem a misturas para evitar custos altos com gasolina, colocando em risco a mecânica dos veículos  |  Reprodução/UOL

Publicado em 27/08/2025, às 13h41   Reprodução/UOL   Giovana Gurgel

Em São Paulo, locadoras de veículos para motoristas de aplicativo enfrentam um problema inusitado e grave: a devolução de carros com tanques adulterados. Para evitar pagar pelo combustível, alguns motoristas têm recorrido a misturas com água, álcool e até urina humana no momento da entrega dos veículos.

O contrato exige que o tanque esteja cheio, e a fraude virou uma alternativa para quem não consegue arcar com os custos da gasolina.

Fraude para compensar prejuízos

Segundo relatos, o gasto com o reabastecimento chega a consumir quase todo o rendimento diário do motorista, que pode variar entre R$ 300 e R$ 500 em jornadas de 12 horas.

Para equilibrar as contas, muitos optam por burlar o sistema. O problema é que a prática causa sérios danos ao carro, já que o sistema de injeção não suporta substâncias diferentes do combustível.

Riscos mecânicos graves

O consultor mecânico Marcelo Silva explica que, ao colocar água ou outros líquidos no tanque, inicia-se um processo de oxidação na bomba de pressão, capaz de comprometer válvulas injetoras e até causar calço hidráulico no motor, o mesmo problema que ocorre em veículos atingidos por alagamentos.

Já o empresário Marcelo Mattos, dono de locadora, revelou ter recebido automóveis abastecidos até com cachaça, o que o obrigou a trocar motores inteiros.

Reação das locadoras

Para reduzir prejuízos, algumas empresas passaram a adotar a prática de entregar o carro na reserva e exigir que ele seja devolvido da mesma forma. Outras locadoras de menor porte também aderiram à medida. Ricardo Nogueira, diretor da Fenaloc Brasil, disse não ter conhecimento específico sobre o uso de urina, mas reconhece que é difícil identificar adulterações.

Ele ainda alertou para outro problema: veículos convertidos para GNV que precisam ser abastecidos apenas com etanol. Como o álcool adquirido direto das usinas chega desbalanceado, muitos carros apresentam falhas na partida. A recomendação das locadoras é simples: a cada 10 litros de etanol, acrescentar um litro de gasolina.

Assim, enquanto motoristas tentam driblar contratos, as locadoras buscam alternativas para evitar fraudes que colocam em risco a durabilidade dos veículos e aumentam os custos de manutenção.

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