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De tempos em tempos, a internet revive a mesma polêmica: afinal, o sêmen teria ou não propriedades capazes de melhorar o humor feminino? O assunto voltou a circular com força nas redes sociais, mas a discussão tem origem em uma pesquisa científica realizada há mais de duas décadas.
Em 2002, o psicólogo Gordon G. Gallup, professor da Universidade Estadual de Nova York em Albany, publicou um estudo na revista Archives of Sexual Behavior (Arquivos do Comportamento Sexual).
A investigação acompanhou 293 estudantes universitárias e concluiu que aquelas que mantinham relações sexuais sem camisinha apresentavam níveis mais baixos de depressão do que as que usavam preservativo com frequência ou das que não mantinham vida sexual ativa.
A pesquisa chamou atenção porque não atribuiu os resultados simplesmente ao ato sexual. A diferença observada entre mulheres sexualmente ativas com preservativo e as que não tinham vida sexual foi considerada estatisticamente irrelevante. O fator, segundo Gallup, estaria no contato direto com o plasma seminal.
O sêmen contém substâncias como estrogênio, prostaglandinas e ocitocina. Os dois primeiros já foram associados em outras pesquisas à regulação do humor, enquanto a ocitocina é popularmente conhecida como “hormônio do amor”, por favorecer vínculos sociais e emocionais.
Em entrevista ao portal Popsci, Gallup afirmou que “o plasma seminal deve controlar e manipular o sistema reprodutivo feminino para trabalhar de acordo com o melhor interesse do doador, o homem”.
No filme "Quem vai ficar com Mary", Cameron Diaz usa sêmen como gel de cabelo sem querer - Imagem: 20th Century Fox
O psicólogo acrescentou ainda que estudos recentes, ainda não publicados, indicariam que mulheres em relacionamentos estáveis que mantinham relações sem preservativo demonstraram maior sofrimento emocional após um término em comparação às que usavam camisinha.
Apesar das conclusões sugerirem efeitos psicológicos relacionados ao sêmen, especialistas em saúde mental e sexualidade reforçam que a pesquisa de Gallup não encerra a questão.
Outros fatores, como o contexto da relação, a intimidade do casal, o apoio social e as próprias condições emocionais das participantes, podem influenciar os resultados.
Assim, embora o estudo traga dados instigantes, a ciência ainda não é unânime sobre o poder antidepressivo do sêmen. O tema segue alimentando debates tanto nos meios acadêmicos quanto nas rodas de conversa, misturando curiosidade, controvérsia e interesse público.
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