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Irmã de traficante condenada por assassinato recebeu ministro de Lula em SP

Ministro Márcio Macêdo se reúne com Alessandra Moja, irmã de líder do PCC, em busca de soluções habitacionais na Favela do Moinho  |  Reprodução/Instagram

Publicado em 08/07/2025, às 16h03   Reprodução/Instagram   BNews Natal

Uma reunião entre o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, e a presidente de uma ONG da Favela do Moinho, em São Paulo, chamou atenção por um detalhe que vai além da pauta social. Alessandra Moja Cunha, que lidera a Associação da Comunidade do Moinho, é irmã de Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”, apontado como liderança do PCC no centro da capital paulista.

O encontro ocorreu no dia 25 de junho e, segundo o governo federal, teve como objetivo apresentar uma solução habitacional para as famílias da comunidade. A visita do ministro também buscava viabilizar a ida do presidente Lula e da primeira-dama, Janja, à região. A Favela do Moinho, segundo o Ministério Público de São Paulo, é uma área controlada pela facção criminosa e de acesso restrito para não moradores.

Alessandra, de 40 anos, é figura frequente na mídia como representante da comunidade. Mãe de quatro filhos e moradora da região há mais de três décadas, ela também já foi presa e condenada por homicídio. Em 2015, recebeu pena de oito anos de prisão por matar uma mulher com facadas enquanto a vítima dormia.

Márcio Macêdo - Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Condenação por assassinato e ligação familiar com o PCC

A condenação de Alessandra remonta a um caso de 2005, quando, junto à irmã Renata Moja Cunha, assassinou Claudice Terra Rufino e feriu o ex-namorado da irmã, Everton da Silva. A sentença aponta uso de meio cruel, motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ela cumpriu pena em regime semiaberto no Centro de Progressão Penitenciária do Butantã, sendo beneficiada com progressão ao regime aberto em 2019.

Apesar da condenação, Alessandra continua à frente da ONG que afirma representar os moradores da favela. Em operações anteriores, a polícia já encontrou maconha, cocaína e crack no endereço da associação. No entanto, ela não foi citada nas denúncias da megaoperação Salus et Dignitas, deflagrada pelo Gaeco em 2024, que prendeu seu irmão e denunciou ao menos quatro membros da família Moja.

De acordo com o Gaeco, a família transformou a região do Moinho em uma base de distribuição de drogas. Segundo os promotores, a ausência do Estado facilitou o avanço das práticas criminosas, que afetam especialmente os dependentes químicos da região e alimentam movimentos contra a presença da polícia.

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Governo defende diálogo e segurança da comitiva

Procurado pela imprensa, o ministro Márcio Macêdo defendeu a reunião, afirmando que a pauta foi exclusivamente voltada à habitação e que o governo dialoga com lideranças comunitárias em todo o país, como parte de sua política de inclusão social. A Secretaria de Comunicação da Presidência informou que a segurança da comitiva foi conduzida conforme os protocolos usuais e não foi identificado qualquer risco à integridade das autoridades.

A Associação da Comunidade do Moinho não respondeu aos pedidos de posicionamento. A polêmica, no entanto, acende o debate sobre critérios e cuidados em agendas públicas de alto escalão, especialmente em territórios sob influência do crime organizado.

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