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Descoberta alarmante; analgésicos comuns podem transformar bactérias em “super-resistentes”

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Pesquisa da UniSA mostra que analgésicos comuns aceleram mutações em bactérias, dificultando o tratamento de infecções  |   BNews Natal - Divulgação Reprodução/Freepik
Giovana Gurgel

por Giovana Gurgel

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Publicado em 29/08/2025, às 13h24



Pesquisadores da Universidade do Sul da Austrália (UniSA) revelaram que a combinação de ibuprofeno e paracetamol acelera a resistência bacteriana a antibióticos como a ciprofloxacina.

O estudo, divulgado na terça-feira (26/8), demonstrou que os dois medicamentos, amplamente consumidos no mundo, potencializam mutações em bactérias como a Escherichia coli, dificultando o tratamento de infecções comuns.

A investigação mostrou que os efeitos nocivos não aparecem apenas no uso simultâneo, mas também de forma isolada. Segundo os cientistas, quando administrados juntos, os dois analgésicos intensificam ainda mais a resistência antimicrobiana, um fenômeno que já preocupa autoridades de saúde globalmente.

Esse foi o primeiro estudo a estabelecer uma relação direta entre analgésicos de uso rotineiro e resistência bacteriana, ampliando o debate sobre os riscos da polifarmácia, especialmente em pacientes idosos, que costumam receber múltiplos medicamentos.

Experimentos revelaram mutações aceleradas

Nos testes laboratoriais, culturas de E. coli foram expostas a combinações de fármacos para avaliar o surgimento de resistência. O resultado foi claro: bactérias em contato com ibuprofeno, paracetamol e ciprofloxacina ao mesmo tempo desenvolveram mais mutações genéticas, tornando-se altamente resistentes.

Além da ciprofloxacina, os micro-organismos passaram a resistir também a outros antibióticos, o que amplia o risco de falhas em tratamentos e compromete alternativas terapêuticas. Essa descoberta sugere que a prática comum de administrar diferentes medicamentos pode ter efeitos colaterais ainda pouco conhecidos.

A pesquisa foi motivada pela crescente preocupação com a resistência antimicrobiana, agravada pelo uso inadequado de antibióticos. O fenômeno já se tornou um dos principais problemas de saúde pública, com impacto significativo em hospitais e instituições de cuidados para idosos.

Impacto direto na saúde pública

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a resistência antimicrobiana é uma das maiores ameaças globais, responsável por 1,72 milhão de mortes em 2019.

A pesquisadora Rietie Venter, que coordenou o estudo, alerta para os riscos em residências de longa permanência, onde pacientes frequentemente recebem várias prescrições e, assim, criam condições ideais para o surgimento de bactérias resistentes.

A equipe da UniSA testou nove medicamentos de uso comum em ambientes de cuidado, incluindo diclofenaco, metformina, atorvastatina, tramadol, temazepam, pseudoefedrina e furosemida. Todos foram avaliados em conjunto com antibióticos para verificar possíveis interações.

Os cientistas defendem que protocolos de administração de medicamentos sejam reavaliados com urgência, considerando os novos riscos identificados. Para eles, é necessário ir além das análises convencionais de antibióticos e investigar como fármacos cotidianos podem comprometer sua eficácia.

Novas pesquisas em andamento

Segundo os autores, a resistência antimicrobiana não deve ser tratada apenas como um problema associado ao uso abusivo de antibióticos. O estudo reforça que a interação com outros medicamentos, até então considerados inofensivos, também precisa ser observada com atenção.

Mais estudos já estão sendo solicitados para aprofundar a análise sobre essas interações e buscar estratégias que evitem o avanço de bactérias “super-resistentes”. Para os pesquisadores, essa é uma etapa essencial para garantir a segurança dos tratamentos e frear um dos maiores desafios da medicina moderna.

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